Mukhlwani e Democracia 

Onde a água é o patrão, a terra tem que obedecer

Tal como no Livaleni, o Mukhulhwani (seja ele gente ou País) tem regras e critérios não muito claros. Tens que ir entendendo devagarinho e te adaptares.

O Mukhulhwani pode te puxar orelhas por que um dia trouxeste uma coisa que ele não gosta e nem quer. Outro dia pode te puxar as orelhas por que não trouxeste essa mesma coisa. Parece aquilo que dizem que podes apanhar por ter cão e por não ter. Tens que ter paciência se queres protecção. Quase que tens que adivinhar o que ele quer a cada dia. Não é bem o pão nosso de cada dia. Varia. Assim é igual com o País que escolheres como Mukhulhwani do teu País enfezado.

Uma das regras mais falada é a democracia. Os que sabem dizem que Democracia é uma maneira de governar em que os cidadãos participam através de pessoas que eles mesmo escolhem para Presidente ou Primeiro Ministro e para Assembleia ou Parlamento. Por essa via nós somos bem engajados na democracia. Muitos dos Países fortes e poderosos que advogam a sua Mukhulhwanisse dizem que só te aceitam com eles se o teu País pequeno e fraquinho ter esta forma de governar. Caso contrário és um lixo e também podes apanhar por isso. Apanhar mesmo de morrer. Ou levarem o teu Presidente e meter numa cadeia internacional deles que parece que é na Holanda. Mas por qualquer razão isso não serve sempre. Por exemplo, a Rússia tem essa coisa da democracia, mas dizem que o Presidente deles é ditador.

Na Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Koweit, etc.  não há eleições, mas parece que democracia aqui não faz falta. Mugabe do Zimbabwe apesar de ter sido eleito várias vezes, os Mukhulhwanis não aceitam. Dizem que está no poder há tempo demais.  Afinal quem é mais democrata do que quem? Mugabe ou o Rei Hussein da Jordânia que mandou mais de 40 anos sem ter sido eleito? Na verdade, isso não é preocupação. A preocupação é saber interpretar o que o Mukhulhwani quer cada vez que abre a boca e exige democracia. E também quando não exige. Mesmo aqui em Moçambique, a gente vê um pouco isso.

Às vezes dizem que não é democracia porque a Frelimo manda há muito tempo. Já se ouviram pessoas importantes a dizer que a democracia é alternância do poder, mesmo quando o povo escolhe a mesma pessoa ou o mesmo Partido. E aqui surge outra confusão: Democracia é para escolher aquele que tem melhor agenda, ou somente quem manda? Uns dizem que quando a gente elege um Presidente ou membros de um Parlamento é para ver qual é a agenda dele que nos serve. Outros dizem que é para escolher a quem dar o poder. Estas duas coisas não são bem iguais se olharmos com olhos de ver mesmo. Outra complicação da democracia que é preciso entender é que o povo escolhe o Presidente e Parlamento, não é?

Não se pode pensar que é o Presidente e os seus Ministros e o Parlamento que mandam só. Há outros que apesar de não terem sido escolhidos por ninguém querem e devem participar na mandação. Tem aqueles que criam sozinhos as chamadas organizações da sociedade civil, que se diz que são não governamentais. Não se pode cair no engano de acreditar que todos não são governamentais. Alguns deles querem mesmo mandar com o governo, ou vigiar como o Governo manda. Mesmo que ninguém elegeu a eles. Mas depois não acaba aqui. Depois de escolheres o Mukhulhwani e a democracia que ele gosta, vem com outras coisas. Direitos Humanos como é? E aqui vemos discriminação também. Nalguns países grandes e poderosos, a polícia mata pessoas por coisinhas de nada.

As cadeias de alguns desses Países desumanizam os prisioneiros. Até já ouvi dizer e li que nalguns Países dos poderosos, as prisões são geridas por empresas privadas que poem os prisioneiros a produzir coisas que são vendidos com lucros, mas o prisioneiro não recebe nada. Mas País pequeno e pobre não pode copiar isso de qualquer maneira. Se um polícia de um País pequeno e pobre bater ou matar um cidadão pode ser problema de falta de cumprimento de direitos humanos. Se maltratar preso, pôr ele a trabalhar sem salário, podes também arranjar mesmos problemas de direitos humanos. E mesmo aqui há variações complicadas.

É preciso também o que é e de quem é o direito. Ao mesmo tempo entender bem essa palavra de humano. Se por exemplo aquele polícia bater um rapaz de rua talvez não há problema, porque aquele rapaz talvez tem mesmo direito de apanhar, ou talvez não é bem humano. Mas se o mesmo polícia bater um estrangeiro branco, ou um jornalista, a situação muda de cor, porque talvez o polícia não tem o direito de bater, ou o batido tem direito de não apanhar, ou esse estrangeiro ou jornalista é humano completo. Estamos a ver a complicação. Não somos todos iguais afinal, embora as leis falem isso. Há humanos, sub-humanos e sobre-humanos. Há quem tem direito de apanhar e há quem tem direito de dar. Se quem tem direito de dar, bate num sub-humano o problema não parece grave. Mas se um sub-humano bate em quem tem direito de dar, vai haver confusão da grossa.

É preciso ficar muito atento para não receber esse cognome de violador de direitos humanos, mesmo que outro País grande faça a mesma coisa ou pior. Mesmo que não concorde com isto, parece a regra de jogo. Posso estar enganado. O melhor era os direitos e os deveres serem de todos mesmo e não haver humanos e sub-humanos. Mas aquilo que os olhos veem e as orelhas ouvem não é bem assim. Como diz o ditado africano, onde a água é o patrão a terra tem que obedecer, porque a água é o Mukhulhwani e a terra o Mukhulwanado.

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