Resgate do nacionalismo da bola com chancela “nyussiana”

A maior competição futebolística do país, um dos ícones revestido de unidade nacional, vulgo Moçambola, devido à incapacidade dos gestores desta magna competição, a Liga Moçambicana de Futebol [e a Federação Moçambicana de Futebol (FMF), inclusa], este ano iria se desenrolar, num modelo regionalista, não fosse a entrega e mobilização pessoal do Presidente da República, Filipe Nyusi. 

Os gestores de topo do futebol e do desporto, no geral, neste caso, incluindo os dirigentes do Ministério da Juventude e Desportos, vezes sem conta se mostram sem iniciativa e criatividade, além de uma visão de planificação deficitária, visto que quase todas as competições de vulto são preparadas “em cima de joelho”. Aliás, há casos em que o país não é representado em competições internacionais ou falha ser anfitrião das mesmas, por mero desleixo e falta de visão. Sem falar das competições domésticas que, amiúde, são amordaçadas.

Como é sabido, o futebol, tido como desporto-rei, constitui o zénite das manifestações desportivas, movimentando massas e fundos, em todo mundo, sendo daí um negócio de alta rentabilidade. Em países cujas instituições que velam pelas competições desportivas, de futebol em particular, são sérias, a planificação de ligas nacionais e competições internacionais, é feita com muita antecedência. E, devido às propostas criativas e competitivas, os candidatos para oferecer patrocínio se acotovelam. Mas, na nossa Pátria Amada, assiste-se o contrário, a liga nacional de futebol vive de esmola em esmola para realizar um certame nacional e com a devida dignidade.

Para a edição do ano passado do Moçambola, a correria desenfreada e as incertezas simplesmente se desanuviaram à boca do arranque da competição e, mais grave, a competição estava sob risco de ser interrompida antes do fim. Por falta de recursos, pudera!

Para a edição deste ano, o cenário deteriorou-se. Fechou-se o ano passado e dentro do primeiro trimestre do presente ano, a Liga ainda não sabia como iniciar o Moçambola e em que formato. Na verdade, não sabemos que tipo de vantagens ou atractivos oferecem os “pensadores” desta magna competição aos potenciais patrocinadores, porém, os resultados dos namoros reflectem que as ofertas são pouco sedutoras.

Os gestores do nosso futebol, reconhecendo a sua incapacidade, quedaram-se num modelo de disputa regional. Clubes da zona Sul entre eles, Centro e Norte, idem, respectivamente. Depois, os representantes regionais iriam se bater. Num autêntico rompimento ao espírito e corpo da unidade nacional e celebração da moçambicanidade que a movimentação e intercâmbio futebolístico proporciona e fecunda ao povo.

O bom do “adepto” Filipe Nyusi, depois de salvar a honra do convento no Moçambola transacto, teve que dar-se tempo e “intromissão’ para viabilizar e resgatar uma competição nacional, que já estava votada e sentenciada ao regionalismo. Qual fragmentação!

O Presidente da República, Filipe Nyusi, mais do que ser pessoa forjada, também, na vida desportiva, entende que a competição nacional de futebol é um ícone de nacionalismo e adereço da soberania do povo moçambicano.

Nyusi, meteu-se em campanhas públicas de mobilização e de namoro de agentes económicos, no sector público e privado, para colmatar o défice de pouco mais de 60 milhões de meticais, apoios que até podiam ser em espécie. 

Alguns exemplos. Mesmo reconhecendo a situação deficitárias de empresas como LAM, Aeroportos de Moçambique e Petromoc, não se coíbe de solicitar compreensão e estudo de formas “rentáveis” de viabilizarem, pelo menos, as deslocações das equipas do Moçambola, para que no vulgo “todos contra todos” e, em duas voltas, proporcionem aos moçambicanos a dignidade de partilha e celebração do nacionalismo uno e diversificado, do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbo.

Vimos um Presidente que se revestiu da humildade (des) necessária e solicitou em público o apoio da cervejeira Heineken que ajudasse no resgate do Moçambola de unidade nacional, olvidando-se o modelo de uma série do Sul, outra no Centro e, ainda outra, no Norte.

Assim, após as vacilações várias e diversas, a Liga Moçambicana de Futebol, com o apoio abnegado, diga-se, do “adepto” Filipe Nyusi, consegue materializar um campeonato de “unidade nacional” onde as 16 equipas apuradas vão disputar o título no sistema de todos contra todos. Sendo que, a partida inaugural terá lugar no próximo dia 27, na cidade da Beira, o que servirá como, também, um sinal de solidariedade e de desanuviamento para a população local ainda afectada e a refazer-se do ciclone Idai que contrariou vários projectos das suas vidas.Contudo, é lamentável que os nossos gestores desportivos tenham muita [mas muita] iniciativa e criatividade quando o assunto é comporem as seleções desportivas moçambicanas para o estrangeiro, as vezes em maior número que os próprios atletas, amealhando as solícitas “ajudas de custo”. Mas quando o assunto é resgatar e mobilizar as massas que afluíam e para que afluam aos recintos desportivos, para que os patrocinadores se seduzam pelos potenciais clientes, tornando o desporto e suas realizações sustentáveis e rentáveis, a Iniciativa e a Criatividade preferem a falta de comparência!

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