Elevados níveis de pobreza (muito acima da metade da população do continente), altos níveis de desemprego e ausência de um mercado estruturado. A dimensão dos problemas no continente é tão enorme que não há nenhuma nação é capaz, por si só, de os resolver. É assim como se caracteriza hoje, a nossa Mãe África, que neste 25 de Maio testemunhou a passagem dos 56 anos da criação da Organização de Unidade Africana (OUA), transformada em União Africana, em 2001. 

Nkwame Nkrumah disse no seu tempo “conquistais o reino político, que o reino económico será adicionado. Quer isto dizer, que a OUA nasceu com um objectivo eminentemente político, que tinha a ver com a libertação política do jugo colonial. Nessa altura apenas meia dúzia de alguns países, antigas colónias da Inglaterra e algumas francesas se tinham tornado independentes. Muitos dos países africanos continuavam sob domínio colonial ou sob domínios de regimes minoritários, a maioria na região sul do continente africano. 

 É justo, pois, congratular a OUA pelo feito alcançado, com a libertação da África do Sul, do regime segregacionista do “apartheid”, em 1994, a marcar o fim da luta heróica pela libertação do continente africano. 

Sucede, porém, que a libertação do continente africano não foi acompanhada pelo desenvolvimento económico que se desejaria que tivesse ocorrido. Aliás, esse desenvolvimento económico foi muitas vezes retardado pelos conflitos que se seguiram em vários países africanos, Moçambique incluído, mas também, e acima de tudo, por políticas adoptadas pelos novos governos. 

Não foram, sequer, políticas que pudessem conduzir a um franco desenvolvimento económico, e muitas vezes, e aqui está o maior problema em África, os novos governantes africanos nunca se encararam como parte de um sistema antigo que punha em causa a agenda de desenvolvimento dos países. Preferiram encarar-se como uma mera substituição dos antigos colonos, e os negros continuaram a fazer exactamente a mesma coisa que os colonos faziam sobre os seus povos, desde a opressão, a falta de acesso a direitos a violação grosseira dos direitos humanos em países como Uganda, República Centro Africana, Sudão, etc. 

Este quadro contribuiu para que África continuasse atrasada. Continuam a não ser saudável para o continente, a integração vertical, com países africanos a continuarem mais integrados em relação ao norte, em detrimento dos seus próprios pares. Por outro lado, a integração vertical é condicionada pelas relações de dependência do continente africano em relação aos países do norte e muitas vezes relativamente às suas próprias antigas potências colonizadoras.

Impõe-se uma geração inteira de africanos que pense num desenvolvimento endógeno, que explore todas as potencialidades existentes em África, para que o continente possa desenvolver-se e impor-se como uma força de reconhecido mérito ao nível internacional. 

O atraso exagerado que o continente africano leva tem, por conseguinte, explicação em razões internas e externas. Perfilam razões políticas, económicas e até culturais. Nas razões internas haverá que destacar as guerras, os golpes, contragolpes de Estado extremamente sangrentos, no século passado. 

Na actualidade já não se fala tanto de guerras entre Estados, persistindo as guerras mais de cariz económico, competição. Na actualidade os golpes aparecem mais de forma sofisticada, nada comparado com o passado. África herdou por outro lado, economia fraca, uma herança agravada pelas práticas e tradições claramente anti desenvolvimentista.  

Nas razões externas está evidente o neocolonialismo, pois as potências europeias quando descolonizaram África amarraram os africanos em condições que impediram o seu desenvolvimento. Continuam a controlar as nossas produções através dos preços de mercado internacionais, montaram alguns Presidentes que lhes convinha em África, desenharam e patrocinaram golpes e contragolpes, com os africanos a pensarem que estão a lutar entre eles, conforme revela a história devidamente documentada. 

Parabéns, Mãe África!       

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