A Renamo teve tudo para se livrar de qualquer “chatice”, sobretudo de natureza belicista como a que o partido militarizado ilegalmente vive hoje.

Essa oportunidade de ouro e única, a Renamo perdeu em 1992, quando ao assinar o Acordo Geral de Paz para Moçambique, entendeu que devia trair a sua contraparte, mantendo nas suas hostes, um exército ilegal, fortemente armado.

A Renamo não deve ter calculado o custo-benefício desta opção, e hoje é desafiada a pagar uma factura impossível ou difícil de quantificar.

Em 1992, no quadro do Acordo Geral de Paz para Moçambique, a Renamo devia ter ficado livre da sua máquina de guerra a custo zero, pois as contas, essas ficam para as Nações Unidas. Neste contexto era tudo fácil.

Assim não entendeu, e hoje paga as custas. São custas que podem vir a custar ainda muito mais, quer em termos de sangue derramado no seio da própria Renamo, quer em termos económicos.

Não será a qualquer preço que a Renamo vai garantir o desarmamento dos seus guerrilheiros, mesmo ao abrigo do famoso DDR.

É que com o andar do tempo, eles acumularam experiência suficiente que aparecerem com um infindável de “mesquinhices”, o que não aconteceria, se a Renamo se tivesse conformado com a realidade e entregar toda a máquina de guerra às Nações Unidas, em 1992, no âmbito da implementação do Acordo Geral de Paz para Moçambique.

A história da humanidade recorda-nos que são poucos os casos conhecidos em que movimentos de guerrilha como foi e ainda é a Renamo, dificilmente se extinguem, salvo nas situações em que um determinado movimento ganha a guerra e conquista o poder, tal como foi a Frente de Libertação de Moçambique.

No caso da Renamo havia sido uma excelente oportunidade, imperdível, face às garantias políticas que tivera a coberto do AGP, para nunca em momento algum pensar em manter a máquina de guerrilha.

Hoje são esses mesmos guerrilheiros, que a partir do baluarte da Renamo, a serra da Gorongosa, aparecem a ameaçar não entregar as armas, em contestação à própria liderança do partido armado, nomeadamente na pessoa do seu presidente, Ossufo Momade.

Os contestatários acham que Ossufo Momade não é uma figura de confiança dos generais que sempre estiveram com o falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, na serra da Gorongosa, por sinal aqueles que podem colocar em causa a paz em Moçambique.

Ao que tudo indica, os guerrilheiros que não se identificam com Ossufo Momade também não se identificam com a forma como o processo está a ser conduzido por Ossufo Momade.

São guerrilheiros com décadas nas matas, que hoje se sentem injustiçados, quando poucas forças a lei da natureza ainda lhes dedica, para encontrarem uma alternativa à vida, que não passa por fazer aquilo que sempre aprenderam e gostam, o recurso a armas de fogo.

Pelo sim pelo não a situação é gravíssima, tão pouco ajuda para o desfecho positivo do DDR.

Se a Renamo tem cumprido integralmente o Acordo Geral de Paz para Moçambique, estava hoje fora deste barulho.

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