O Secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, esteve entre nós, numa missão de dois dias, que pode ser vista em quatro vertentes essenciais.


A primeira vertente, a mais badalada, tem a ver com a obrigação moral de ao mais alto nível, as Nações Unidas se solidarizarem com Moçambique, depois da catástrofe humanitária que se abateu sobre o país, provocada pela passagem dos ciclone tropicais IDAI e Kenneth.
E aqui, Guterres foi feliz, ao vincar que Moçambique tem uma autoridade moral inegável, porque apesar de o país não contribuir praticamente para o aquecimento global, está na primeira linha das vítimas das alterações climáticas que provocam desastres naturais que se repetem cada vez com mais intensidade e devastação. Isto é o que já havíamos defendido neste espaço, quando pairavam os ventos da conferência internacional para a reconstrução pós ciclones.
“Isso dá-lhe (a Moçambique) o direito de exigir da comunidade internacional, uma forte solidariedade e um forte apoio, quer na resposta aos dramas criados pelas tempestades que assolam o país quer na preparação e reconstrução do país para as situações futuras”, destacou António Guterres.
A segunda vertente da estada de António Guterres em Moçambique é um claro apoio político das Nações Unidas a Moçambique, relativamente às Eleições Legislativas, Presidenciais e das Assembleias Provinciais de 15 de Outubro.
É obrigação das Nações Unidas prestar apoio a este processo, que passa por condicionantes, que começam com insuficiência de recursos, o que logo à partida periga o imperativo de as eleições acontecerem em condições normais, como a própria ONU recomenda, para o aprofundamento da Democracia.
A terceira vertente, que nunca podia ser dispensada, tem a ver com o processo de paz. Aliás,
António Guterres reiterou o apoio ao processo de paz em curso no país.
É simplesmente extraordinário o trabalho que o sistema das Nações Unidas presta nesta frente, bastando lembrar a presença da ONU em Moçambique, depois do Acordo Geral de Paz de 1992, com uma força bastante robusta.
Guterres acaba de nomear o Embaixador da Suíça em Maputo, Mirko Manzoni, como seu Representante para Moçambique, fundamentalmente para mediar as conversações de paz entre o Governo e a Renamo, sendo que vai começar a exercer as funções depois de terminar a sua missão na Embaixada Suíça, o que está para breve.
O gesto de António Guterres mostra claramente que o processo de paz em Moçambique não pertence apenas ao Governo e à Renamo ou ainda ao Grupo de Contacto, mas sim tem um envolvimento abrangente, até ao sistema das Nações Unidas, no sentido de que em todo o apoio a ser prestado, a ONU tem uma unidade especial para este tipo de actividades. Moçambique vai necessitar claramente dos préstimos dessa unidade para levar a bom porto o processo de paz.
A quarta vertente da visita do Secretário-geral das Nações Unidas a Moçambique só pode ter a ver com a situação em Cabo Delgado. Foi por isso que António Guterres manifestou total disponibilidade da unidade da ONU de luta contra terrorismo e intervenção contra o extremismo violento para colaborar com Moçambique.
“Criando as condições para que, sobretudo as camadas mais jovens da população, possam ter uma acção positiva no combate ao extremismo, no combate à radicalização e não sejam vítimas desse extremismo, dessa mesma radicalização”, frisou Guterres.

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