A cultura é um dos sectores que regista mais ganhos decorrentes do processo de integração na região da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).


Os principais ganhos não são necessariamente a cultura material como tal, mas sim o desenvolvimento de diferentes manifestações culturais, com o objectivo central de criar o sentimento de pertença a uma região, junto da população, em que todos nos sentimos cidadãos e membros da SADC.
A região já promoveu inúmeros festivais culturais da SADC, o primeiro dos quais foi produzido por David Abílio. Trata-se do Festival de Teatro da SADC Maputo-Moz 1998.
David Abílio, técnico de cultura e antigo Director da Companhia Nacional de Canto e Dança, lembra que este foi considerado um dos festivais de maior sucesso, apesar de a maioria dos países membros da SADC que participaram serem falantes da Língua Inglesa.
O sucesso resultou essencialmente de questões organizativas e da acutilância dos grupos, que não tiveram na língua como principal meio de comunicação, e finalmente a grande afluência do público, em todas as salas onde os espectáculos aconteceram. Os grupos usaram diferentes técnicas para se comunicarem.
Destaca-se igualmente o Festival de Música da SADC e o Festival de Dança da SADC, ambos realizados em Harare, no Zimbabué, em 1995 e 2001, respectivamente que, segundo David Abílio, foi igualmente um sucesso.
Windhoek, capital da Namíbia, acolheu de 26 de Agosto a 4 de Setembro de 2000, o Festival de Artes Visuais da SADC, para em 2003 a África do Sul acolher o Festival Multidisciplinar da Cultura da SADC.
Estes festivais foram promovidos quando Moçambique coordenava o sector de Cultura e Desporto da SADC, em que se notabilizaram figuras como Yolanda Mussá e Renato Matusse.
David Abílio sublinha a importância do intercâmbio de artistas da SADC, sendo que Moçambique tem estado a receber muitos artistas provenientes de diferentes países da região, com destaque para a África do Sul, Zimbabué, entre outros.
Por outro lado, as populações da região vivendo em zonas fronteiriças promovem regularmente intercâmbios, de forma natural, entre elas, uma prática que encerra um significando profundo, pois valoriza tudo o que une os povos da região.
A integração, de facto, materializa-se quando os povos assumem e criam o espírito da irmandade e da solidariedade, sendo a cultura um factor extraordinário. “Considero isso como grandes ganhos da integração regional e de relevância particular, sobretudo na construção da SADC”, disse David Abílio.
Para este artista, as manifestações de integração ao nível cultural acontecem de forma espontânea, uma espontaneidade necessária e natural, em que as pessoas não são forçadas a aderir. “A cultura é o factor preponderante que propicia o ambiente psicológico de aceitação mútua como irmãos”, destaca David Abílio.
Desde cedo, a cultura teve um papel extraordinário no processo de integração regional, e foi assumindo este imperativo que a SADC assinou o Protocolo sobre Cultura, Informação e Desportos, a 14 de Agosto de 2001, instrumento ratificado por Moçambique a 25 de Abril de 2002.
O Protocolo pretende garantir que a cultura desempenhe um papel de relevo no desenvolvimento económico da região, visando promover o uso das línguas nacionais para a promoção da identidade cultural da região bem como desenvolver e promover instituições do património cultural.

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