A maior economia africana, a África do Sul, corre sério risco de perder competitividade para negócios e perder, em consequência, o estatuto de maior economia de África, por força do fenómeno de xenofobia, que no final do dia não passa de actos criminosos.

Lembre-se que não passa muito tempo, que a África do Sul recuperara o estatuto de maior economia de África, depois que fora ultrapassada por Nigéria e Egipto. A recuperação da liderança havia sido conseguida mercê do empurrão da moeda da terra de Nelson Mandela, o rand.

Os actos criminosos ou de xenofobia que vitimam estrangeiros, em particular africanos, com destaque especial para moçambicanos, podem representar um sério revés e deixar um futuro incerto para o país vizinho.

Os sul-africanos envolvidos nos actos criminosos tentam culpar imigrantes africanos pela crise, esquecendo-se da maior abundância da população jovem na África d Sul, principalmente nas grandes cidades. Esta é a causa principal do quadro socioeconómico que leva ao desconforto dos necessitados sul-africanos, causa entretanto pouco explorada.

As numerosas famílias sul-africanas não encontram oportunidades de geração de renda para a sua sobrevivência, e acabam encontrando espaço fértil para criticar os estrangeiros, em particular africanos, acima de tudo moçambicanos. Todavia, esta não é a causa fundamental, se bem que não pode ser subestimada.

Por outro lado, a numerosa população que sobrecarrega o Estado, junta-se à falência deste mesmo Estado, incluindo o sector privado, na capacidade de gerar renda para a numerosa população sul-africana, o que causa desespero total, levando a um nível de pobreza gritante.

A população sul-africana, claramente em excesso, e a falência do Estado na salvaguarda do bem-estar do seu Povo, são as duas causas fundamentais do nervosismo exacerbado, que se traduz nos actos criminosos ou xenofobia. A agravar a situação, o facto de a maioria da população sul-africana ser jovem.

É indisfarçável a tristeza extrema da humanidade face aos acontecimentos na África do Sul, principalmente nesta altura em que a União Africana acaba de assinar o Acordo de Comércio Livre no continente, que inclusivamente já está em vigor, depois que os 22 países que eram necessários para ratificar o documento já o fizeram.

Adjacente a este Acordo Comercial, existe um Protocolo de Livre Circulação de Pessoas e Bens, incluindo de residência e de estabelecimento de actividades produtivas em todo o espaço africano.

Por outro lado, impõe-se a todos nós profunda reflexão para além das nossas emoções naturais, em circunstâncias similares. Não seriamos perdoados se não reconhecêssemos que de facto, a África do Sul está sobrecarregada.

A África do Sul pode ser vista, por muitos, como El Dourado, contudo, haverá que reconhecer, os danos causados pelo regime segregacionista do “apartheid” sobre a população negra ou não branca, reflectem-se hoje, nas condições extremamente deploráveis em que vive.

O continente africano conta com 54 países, cuja população procura na África do Sul, melhores condições de vida. A ilusão de que a terra do rand é um El Dourado, determina pressão sobre a terra de Nelson Mandela, porque os estrangeiros que tiram emprego aos sul-africanos não são os médicos, engenheiros, professores universitários ou especialistas de diferentes ramos de actividade. São pessoas que fazem trabalhos básicos como motoristas.

Logo, impõem-se abordar a situação de uma forma mais holística, para que o controlo de entrada de pessoas para a África do Sul seja feito com todo rigor.

Um outro factor a ter em conta, que influencia a presente situação, tem a ver com a postura dos empregadores, que preferem mão-de-obra estrangeira, não necessariamente apenas pelo nível de conhecimentos (superam os sul-africanos), mas também pelo facto de esses imigrantes estarem a fugir de situações adversas nos seus países.

Basta exemplificar que a África do Sul conta com 3.5 milhões de zimbabueanos, que vivendo em condições precárias, não têm como se sindicalizarem, o que representa uma mais-valia para os empregadores, pois representam mão-de-obra barata, sem lugar a reivindicações, como seria com trabalhadores sul-africanos. (continua)

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