Ensina-nos a História, que só conhecendo o assado e o presente, podemos construir um futuro risonho, em prol da humanidade.


Desconhecendo o passado e o presente, é enorme o risco de se desenhar um futuro que nos leve a uma tragédia, pois tudo será idealizado com excessiva carga de empirismo.


De forma alguma concordamos com a violência eleitoral que ocorra num e noutro ponto do país, pelo contrário. Juntamos a nossa voz à daqueles que em nome de um Moçambique reconciliado e em paz efectiva e definitiva, apelam para o fim dessa violência.


Contudo, antes de condenar a “violência”, não se pode ignorar a sua génese, a razão fundamental, talvez a única. Por outro lado, é falácia associar a Frelimo a essa mesma violência.


A região sul de Moçambique, em particular a Província de Gaza, foi a que viveu a maior crueldade dos 16 anos da “guerra” assassina conduzida pela Renamo. A agravar a situação, a crueldade ganhou o seu clímax precisamente na etapa final da “guerra”.


As populações de Gaza continuam a perder sono, pois ao se fazerem à cama ou esteira, no lugar do repouso merecido, ainda lhes aparecem as imagens que foram forçadas a presenciar, de assassinatos, à luz do dia, que incluíram com recurso à armas de fogo e instrumentos contundentes de todo tipo.


As populações de Gaza ainda mantêm vivas as imagens de esquartejamento, de pessoas vivas, abertura de ventres de mulheres para extrair bebés imediatamente esmagados e as mães obrigadas a comerem seus próprios bebés, outros tantos pilados vivos, mulheres obrigadas a abrirem as pernas para logo a seguir serem queimadas vivas, gente atirada viva aos poços de água, populações obrigadas a consumir água de cisternas com corpos de pessoas assassinadas flutuando, entre outras formas de assassinatos cruéis que a Renamo cometeu nesta região de Gaza.


As populações desta província testemunharam uma realidade cruel indiscritível. Não é a presente geração que se vai esquecer de tudo que testemunhou. Senão já nos tínhamos esquecido dos malefícios do colonialismo português.
Reconhecer esta crueldade é o primeiro passo a dar para se ensaiar alguma tentativa de reconciliação com aquelas populações. Continuar a ignorar e a contornar esta realidade desumana, jamais será encontrada a estratégia correcta que permita que a Renamo finalmente se reconcilie com as populações do sul de Moçambique, em particular da Província de Gaza.


Até pode insistir em não reconhecer os seus próprios pecados, desde que tenha a santa paciência de esperar que a lei da natureza se encarregue de extinguir a geração que viveu na carne e no sangue a “guerra assassina”.


Não é nem a Frelimo nem quem quer que seja que instiga a população de Gaza, em particular, a rebelar-se contra a Renamo, mas sim os assassinatos cruéis e os factos que a própria Renamo se encarregou de espalhar na etapa final da “guerra”.


Deixemos de ser demagogos, hipócritas, e saibamos reconhecer os factos, como eles são e como eles foram, em busca de uma reconciliação real, sem branquear a história. Reconciliar implica também reconhecer e confessar os todos os pecados, para o alívio dos ofendidos.


Cheira a desumano não entender o estado de espírito das populações do sul, principalmente da Província de Gaza, por tudo que passaram com os assassinatos cruéis da Renamo. É legítimo que essas populações não consigam, até hoje, distanciar-se ou despirem-se dessa acção assassina cruel, a chamada guerra.


É desejável que 27 anos depois, as feridas da “guerra” estejam saradas, mas não se pode esquecer que para milhões de moçambicanos do sul, Gaza em particular, as feridas foram tão profundas e assim continuarão para sempre, durante a vida inteira.


Paz, fruto da reconciliação!

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